2014/01/26

Pensamento do dia #17

Quando uma relação corre mal, já ninguém quer saber. Vale mais uma conquista pós-separação que anos de investimento e partilha. A geração nascida dos anos oitenta, de desiludidos e falhados, não tem tempo para romantismos. Apenas querem dar uma queca de vez em quando, entre uns copos e benzodiazepinas. Chamam a isso aproveitar a vida, ser feliz.
 
O amor foi privatizado, descontinuado, e passou de moda. Foi comprado pelo dinheiro e por tudo o que este pode proporcionar.
Reescrevam-se os manuais de psicologia, e de caminho, a existência. Os desajustados que se amanhem ou então, se extingam.

2013/12/18

Pensamento do dia #16

A melhor maneira de suster uma mentira é ser, em tudo o mais, escrupulosamente sincero.

2013/12/07

Pensamento do dia #15

O pensamento é a maior e mais inalienável das liberdades.  Ironicamente, é de todas a menos valorizada.

2013/11/17

Pensamento do dia #14


As coisas são, geralmente, o que parecem. Porém, o mais estreito riacho pode parecer uma torrente intransponível, se o acharmos num momento em que nos encontramos atoados. Oxalá fossemos sempre capazes de deter o passo, olhar em frente, arrear o carreto e atravessar sem qualquer dificuldade. Se precipitadamente desistirmos, corrigindo o sentido da marcha, nunca saberemos o que podemos ter deixado para trás na outra margem.

2013/08/09

Urbano Tavares Rodrigues 1923-2013

«Vivemos, de facto, numa época em que a noção de amor trágico e romântico, que herdámos do século dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos - e até com o carácter de construção moral e estética - essa relação extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclamação da liberdade erótica não me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimizá-la e do mesmo passo desmistificá-la, precisamente no propósito de a tornar mais lúcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contestação de todas as prepotências firmadas em preconceitos, em princípios estabelecidos apriorísticamente, há sempre um nexo muito íntimo entre a reinvindicação da liberdade erótica, da liberdade no trabalho e da liberdade política. E, naturalmente, quando se dá uma explosão desta espécie, é como uma pedra que rola e que vai agregando uma série de materiais e descobrindo a sua própria composição até às zonas mais profundas da sua estrutura.»
 
[ensaios de escreviver]